A Importância do estudo da Dermatologia Veterinária

Na rotina das clínicas veterinárias as doenças de pele estão entre as principais queixas dos donos de cães e gatos. Por estarem, muitas vezes , relacionadas a diversos fatores causadores o veterinário necessita realizar uma avaliação criteriosa do paciente, além de um bom diálogo o dono do animal durante a consulta a fim de estabelecer um diagnóstico preciso.

Por serem os problemas de pele bastante complexos e multifatoriais, buscamos aprimorar nossos conhecimentos na área de Dermatologia Veterinária para atender da melhor maneira possível os nossos clientes e principalmente promover a sáude dermatológica dos nossos pacientes.

Paula Becker *

Médica Veterinária CRMV-RS 9909

*Aluna do Curso de Especialização em Dermatologia Veterinária


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terça-feira, 19 de março de 2013

Seborréias no Paciente Canino e Felino


As seborréias são doenças que podem ter causas genéticas,  as chamadas seborréias primárias,  ou secundárias, em casos de estarem sendo associadas a outras doenças nutricionais, metabólicas ou endócrinas. O animal que é portador destas alterações tem uma disfunção na renovação das células da camada superficial da pele, o que faz com que libere maior quantidade de descamações de células do que um animal normal.

O ciclo de renovação da pele dos animais normais é de 21 dias em média. Porém animais que são seborréicos tem seu ciclo reduzido em mais da metade deste tempo. Assim são comuns as "caspas"  formadas por restos de células mortas e a constante troca de pelos em cães e gatos com essa  alteração. As descamações servem de meio de crescimento para  microorganismos. Este crescimento excessivo de microorganismos faz com que os pacientes seborréicos tenham normalmente odores desagradáveis no seu corpo e também nos ouvidos. Também é comum encontrar animais com seborréia tendo maoir tendência à  micoses e infecções bacterianas cutâneas.

O tratamento das seborréias depende da forma que está se apresentando.

Quando a descamação vem seguida de ressecamento da pele podemos classificar a seborréia como seca. Quando a descamação é acompanhada de aumento de produção de oleosidade a seborréia é chamada de oleosa. Em alguns casos o animal pode ter um quadro misto, em algumas áreas tendo a pele oleosa e em outras não.

Medicamentos que "desaceleram" a renovação das células e desengordurantes podem ser utilizados a fim de se melhorar a apresentação da doença. Quando a pele é sensível e tende a ressecamento,  fatores de hidratação podem ser necessários para que se evite a perda excessiva da gordura,  que também tem efeito protetor e faz parte da barreira natural cutânea contra a desidratação e microorganismos.

Animais que possuem a seborréia primária passam a apresentar sintomas já na fase jovem adulta. Em casos de surgimento tardio (animais já adultos à idosos) normalmente a seborréia pode ter um caráter secundário à doenças endócrinas, deficiências nutricionais, ou mal funcionamento de algum orgão. Produtos de embelezamento da pelagem inadequados podem também levar a problemas na pele e pelagem. A água muito quente nos banhos também pode provocar a formação das "caspas".

Com o tratamento adequado a maioria dos pacientes caninos e felinos podem ter uma boa melhora na condição da pele seborreica. Procure um médico veterinário de sua confiança.



domingo, 7 de outubro de 2012

Tratamento das Otites Crônicas em Cães


É muito frequente a vinda de animais para consulta veterinária apresentando otites. Em alguns casos as otites tem curso crônico. Ou seja, o animal já apresentou diversos quadros e recidivas, apesar do tratamento com medicamentos.

Como se sabe que a otite pode ter diversas origens ( infecciosa, parasitária, alérgica, ou animais portadores de seborréia) é fundamental se investigar quais fatores estão envolvidos na doença. Muitas vezes se tratam as doenças de base e o paciente não apresenta mais alterações. Porém quando o animal passou por otites bastante graves, os traumas provocados pelas infecções e pelo ato de coçar podem ter levado a lesões do conduto auditivo externo ( canal que comunica a orelha externa a orelha média). As vezes ocorre crescimento excessivo da pele e formação de pólipos no interior da orelha, que pode levar a obstrução do canal.

Quando o ouvido fica total ou parcialmente obstruído os tratamentos e limpeza das orelhas fica prejudicado. Além disso a secreção ceruminosa passa a ficar retida e nela passam a crescer bactérias e fungos, piorando a situação.

Casos nesta situação de obstrução podem precisar de tratamento cirúrgico. A cirurgia consiste em se "abrir" novamente o conduto auditivo, o que facilita a saída do conteúdo acumulado e o tratamento medicamentoso adequado. Este procedimento oferece uma chance de cura  aos pacientes portadores de otite crônica.

Se o seu animal tem problemas de otite evite tratá-lo por conta própria,  pois a escolha inadequada de um tratamento pode levar a quadros crônicos da doença. Consulte um médico veterinário.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Como Cuidar do seu Animalzinho Alérgico

Muitos pacientes caninos e felinos chegam ao consultório veterinário com sinais de alergia. Na maioria dos casos se  observam coceira, lesões de pele traumáticas devido aos atos de coçar e lamber excessivamente, queda dos pêlos, quadros de otite, crises de tosse, espirros, e até mesmo vômito e diarréia.

Os sintomas são bastante amplos, por isso na consulta o veterinário precisa conhecer os hábitos e rotina do animal. O que já é bastante estudado é a questão da imunidade dos pacientes alérgicos. Eles respondem de maneira exagerada quando expostos a certas substâncias presentes nos alimentos, saliva de insetos como pulgas e carrapatos, mofos e ácaros do ambiente, pólen, e até mesmo microorganismos que existem na pele e fazem parte da microbiota natural dos animais.

Desta forma, os cuidados no tratamento dos animais devem ser instituidos de acordo com o que se acredita que esteja envolvido na doença alérgica.

Além da questão da resposta exagerada do sistema iminulógico, ainda existem pacientes que são portadores de atopia, quadro relacionado também a uma alteração de ordem genética que faz com que a epiderme dos animais tenha uma alteração em sua função  e estrutura. A pele  é mais sensível ao ressecamento, infecções e irritações. Quando diagnosticado com dermatite atópica o paciente deve ter além do tratamento veterinário da crise de alergia , um estudo e acompanhamento para que se possa identificar os fatores que provocam o quadro e também preveni-lo.

 Para que se obtenha a melhor resposta do tratamento é indispensável que o proprietário do animal faça a sua parte, seguindo as recomendações veterinárias. Também deve-se lembrar que as crises alérgicas podem ser contornadas, porém na maioria dos casos a doença alérgica irá acompanhar o cão ou gato durante toda sua vida.

Cuidados que podem melhorar a vida dos pacientes alérgicos:
  • Mantenha o ambiente onde vive, caminha e roupinhas do seu bichinho limpos .
  • Aplique com frequência  produtos para prevenção de  pulgas e carrapatos.
  • Evite fornecer petiscos e sobras de alimentos, e ofereça ração de qualidade.
  • Banhos podem e devem ser realizados com frequência em animais alérgicos, desde que utilizados shampoos suaves e hidratantes  -  a pele limpa também se torna mais saudável.
  • Consulte um médico veterinário e evite medicar seu animal  por conta própria - isso pode piorar a saúde do melhor amigo, além de dar a falsa impressão de melhora sem tratar a causa da alergia.